7 de março de 2010

Desabafo

Depois de passar um dia de cão, com uma TPM daquelas e recebendo um turbilhão de péssimas noticias, hoje acordei melhor. É incrível como o mau humor e o pensamento negativo atraem coisas ruins e o pior é saber que por mais consciência que tenhamos disso, nossa imperfeição humana não nos deixa ficar livres de cometer esses erros algumas vezes.

A pior coisa que aconteceu ontem foi saber que minha mãe está doente e estar distante sem poder ajudá-la. Tenho consciência que estando a 1 metro ou a 10.000 km de distancia não vou poder impedir que coisas ruins acontecam, mas estando perto eu poderia pelo menos obriga-la a ir a um hospital, coisa que a teimosa acha que não precisa nunca, mesmo depois de passar 2 dias de cama com febre alta, enjoos, vômitos, dores no corpo, tonturas e a impossibilidade de se manter de pé. Depois de muita insistência e de um dia inteiro de preocupação, ela acabou cedendo e foi a um pronto atendimento, constatando o que já desconfiávamos: ela está com dengue (maldito mosquito!).

Ela continua mal, sem conseguir se alimentar e de repouso, mas a dengue derruba a pessoa por pelo menos 7 dias e só depois do quarto dia é que se começa a reagir, então sabendo o diagnóstico e o caminho que geralmente a doença percorre, fica mais fácil saber se tudo está evoluindo bem. Essas coisas mexem com a minha cabeça e destroçam o meu coração. Nessas horas penso se realmente vale a pena morar longe das pessoas que amamos. Meus maiores medos giram em torno dessa distancia e do que estou deixando de viver ao lado dos meus pais e irmãos.

Já ouvi muitas coisas, muitos conselhos e gente dizendo que cada pessoa deve cuidar de si mesmo e da sua vida. Também acho isso, também sei que meus pais e irmãos são bem grandes para viverem suas vidas com suas próprias pernas e que quem precisa de mim nesse momento é o meu filho. Sei que estar ao lado deles não muda o rumo que a vida de cada um deles, inevitavelmente, vai tomar. Mas, também sei que dói muito, também sei que falar é fácil demais. Na teoria tudo é lindo, mas colocar em pratica e vivenciar 24 horas por dia a dor da saudade e o medo de nunca mais reencontrar a sua família é para poucos e não sei se tenho forcas ou vontade de viver isso para sempre.

Não me julgo fraca ou forte, mas vou levando a vida vivendo cada dia de uma vez e sei que minhas decisões podem mudar o tempo todo. Ainda consigo viver longe, mas não sei até quando. Peso muito sentimentos e geralmente sou guiada por eles. Não sou racional, não consigo e não quero ser de outro jeito. Quero viver! Quero encontrar minha felicidade, morando na Alemanha ou no Brasil. Mas, isso é coisa de se decidir com o tempo, de se buscar em Deus. Não posso ser guiada pelas minhas fragilidades e nem posso decidir sozinha, afinal agora sou três. Mas, que hoje só quero o colinho quente dela e só quero saber que está tudo bem, ah isso eu quero sim...

P.S.: Essa foi a foto mais linda que tiramos no Brasil. Estava guardando, pois queria fazer um post especial para a vovó mais fantástica do mundo. Queria retratar aqui o carinho que nasceu entre a mamãe e o Miguel e a afinidade gostosa desses dois. Até hoje ele vê a foto dela na área de trabalho do computador e fica mandando beijinhos. Uma delicia de se ver!

13 comentários:

Eve disse...

Penso do mesmo jeito que você. Sai do Brasil e deixei meu pai com problemas de saúde que já tem quase um ano que ele precisa parar para cuidar e não cuida. O que é pior. Tb fico pensando na distância, nas coisas que deixo de viver por lá. Mas, ao mesmo tempo, sei que estou em busca de algo maior tanto para mim quanto para eles, pois se não estou bem comigo, não estou completa para ajudá-los da forma que eles precisam e vão precisar.
Sua mãe ficará melhor e suas preocupações irão cessar.
Beijos!

Anônima disse...

Liz quando morei fora tb senti os mesmos medos, duvidas e ate hoje sinto, pq mesmo estando no Brasil eu moro num outro estado.

Nem sei o que dizer realmente nessas horas.

Mas estou torcendo para sua maezinha ficar boa logo, logo.

Bjs

Paula disse...

é uma situação difícil e complidada. Não tem jeito fizemos a "besteira" de sair de lá e agora ficaremos eternamente divididas.
No meu caso já perdi entes queridos e tantos outros irão em breve (todos na casa dos 80/90) e por um lado sinto por ter perdido muito encontros com eles, mas por outro penso na minha própria felicidade... é difícil, muito difícil mesmo e olha que eu tenho a grande sorte de ter pais e irmã morando aqui pertinho de mim.

Paloma disse...

é difícil mesmo. também moro longe da minha família e me questiono sobre os mesmos assuntos. às vezes, é bom que essas coisas aconteçam, até pra gente refletir sobre o cotidiano e sobre o que é efetivamente importante. Melhoras pra sua mãe. bjo
Paloma e Isa

Nanci disse...

É, isso não é fácil para nós que moramos fora e agora temos uma família aqui. O nosso coração fica dividido, mas tenta ver se tem alguem assim proximo que esteja afim de ajudar a levar ela ao médico e acompanhar tudo. Eu fico mais tranquila pois tenho a minha irmã que mora do outro lado da rua da minha mãe e tem uma loja, ou seja elas estão sempre juntas, e tb tenho uma ex-cunhada que virou amiga e sempre sai com a minha mãe para o médico, dentista, etc. E quando ligo ela sempre me da um relato do que fizeram e isso sim ajuda muito a sossegar o meu coração. Mas a sua mãe vai ficar boa logo logo pensamento positivo.
Abraços

Beth/Lilás disse...

Ah, Liza, não se atormente assim!
Isso faz parte do ser humano e de sua existência, estamos sempre cobrando algum posicionamento na vida, mas a vida taí pra ser vivida!
De repente se você estivesse aqui não poderia fazer grandes coisas e de qualquer forma ela tem ainda o seu pai e outros irmãos que estão por perto. Este sentimento não deve ser uma coisa que tire a satisfação que vocês têm em estar preparando seu futuro, muito ainda tem pela frente para ser construído e, eu tenho certeza, sua mãe, seu pai e família, entendem isso plenamente, porque faz parte do amor que nutrimos uns pelos outros e o desejo de que vocês façam o melhor para suas vidas.
Ela ficará bem.
um grande abraço carioca

Dani dutch disse...

OI Liza, tudo bem?
Liza faz quase um mês que as minhas energias se foram, estou caprichando na alimentação até abandonei as caminhadas pra dá uma folga para o corpo, mas a canseira e o desânimo ainda não foram embora, as vezes acho que é o inverno pesado que nos deixam assim.
Eu comecei a estudar holandês no ano passado em fevereiro e estudei 6 meses e depois parei, agora voltei novamente faz duas semanas, e vou ir até o fim pra tirar logo o tal do NT2. Mas no começo pensei que nunca fosse aprender essa língua, a pronúncia é muito complicada, uma combinação de francês, com umas palavras faladas com a garganta.. só por deus...bjuss e boa semana

Lucia Cintra disse...

Que chato isso, Liza! E o pior eh voces estarem tao longe uma da outra.

Eu me considero sortuda de ter meu pai e minhas irmas aqui comigo, mas as vezes fico sonhando em ter meus tios/tias, avo', primos aqui do meu lado tb. Conheco pessoas com uma familia super grande morando perto um do outro e eu tinha tanta vontade!

Mas como voce disse, a gente deve viver nossa vida e ser feliz onde quer se seja. A saudade vai sempre existir daqueles que a distancia nos separa, mas o amor permanece sempre no coracao.

Adorei a fotos dos dois e espero que sua maezinha se recupere logo! bjos

Jane disse...

Sei bem como e isso. Minha mae tem um problema cronico de saude, e as vezes eu fico com o coracao na mao. Mas por outro lado, ela e a primeira a me apoiar a cuidar da minha vida. E mesmo de longe, estamos sempre proximas e nos ajudando. Mais do que isso eu nao poderia fazer estando perto.
Desejo melhoras pra sua mae. Beijos!

Mary disse...

Melhoras para sua mãe. Qdo morávamos no RJ, também tivemos dengue; mas tudo termina bem!

Liza Souza disse...

Meninas, agradeco de coracao o carinho de todas voces. Minha maezinha está se recuperando e fico duplamente feliz em saber que nesses momentos tao dificeis posso contar com pessoas tao especiais.
Beijos

Sandra Santos disse...

Ai que fofa a foto dos dois, Liza! Espero que sua mamae já esteja se sentindo melhor. Viver longe nao é fácil mesmo nao, ainda mais nessas horas. O que achei mais bonito no que vc escreveu foi o fato de que nos multiplicamos na vida e, com isso, nossas responsabilidades e o sistema pesa nas decisoes. Queremos aquilo que é bom pra nossa família. Eu também sou quatro. Forca, amiga!
Beijos,
Sandra

Janete disse...

Foto mais linda mesmoooooooo! Que ciúmes nem lembra da tia mais (rs). E só aprendeu falar vovó.