Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Albertos Geburtstag




Nesse fim de semana comemoramos o aniversário do marido com uma festa digna dos seus 28 anos de vida. A festa foi ótima, mas infelizmente não conseguimos reunir todas as pessoas que gostariamos por que moramos num lugar muito pequeno, mas juntamos os mais íntimos e nos fartamos de comer, beber e conversar (em alemão eh claro!).




Eu como sempre não ouvi os conselhos do marido e cozinhei para 50 pessoas, só que convidamos apenas 10. Sobrou tanta comida e bebida que poderíamos fazer uma festa para mais 20 pessoas. E não sobrou por que estava ruim não, viu? Recebi até uma proposta para abrir um negócio aqui na região.





A sensação da festa foi o Miguelzinho. Ele trabalhou como barman (misturando suco de laranja e agua na cerveja dos convidados), trabalhou como garcom (servindo brigadeiro de copinho na boca de todo mundo) e depois de tanto trabalho pesado, pegou seu cobertor e tratou de tirar um longo cochilo de 1 hora. Isso tudo depois de morder um balão e dar de cara com o chão, ganhando um belo olho roxo e inchado.




É muito bom receber pessoas queridas, principalmente para comemorar a vida de uma pessoa tão especial. Claro que do meu jeito comemoro o Bebeto todos os outros dias do ano, não com balões, bolos, presentes, mas com o meu amor, carinho e dedicação. Afinal ele é mais que merecedor de todas as melhores coisas do mundo e rico de todos as coisas que realmente importam ter: é dono de um coração puro, alegria de viver, temor a Deus, respeito aos outros, pureza, dignidade, caráter. Amor, que essa data se repita por muitos e muitos anos e que possamos comemorar sempre de uma forma tão gostosa quanto foi dessa vez. Ah, mas já fiquem avisados: ano que vem a festa vai ser no Brasil, já prometi que esse será o presente dele, se ele continuar se comportando e ajudando nos servicos domésticos.




Ah, dá para acreditar que essas últimas fotos são da mesa depois da festa? O que eu faço com tanta comida?

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Saudade que dói!


Amanha faz 3 anos que minha companheirinha me deixou. Melzinha era tão doce, leal, carinhosa, esperta, verdadeira, além de ser a cadelinha mais linda e inteligente que já vi. Não me esqueço do dia que ela chegou na minha vida, cabia na palma da minha mão e parecia mais uma pelotinha de algodão. Seu narizinho vermelho era um charme. Lá em casa eramos tão apaixonados com ela que sempre havia briga para saber com quem ela iria dormir. Mas, ela preferia dormir comigo. Quando eu ia dormir antes dela e fechava a porta, ela ficava arranhando a porta até que eu abrisse e então ela pulava na cama e já se ajeitava ao meu lado. Quando eu ia trabalhar, ela corria para a janela da sala para se despedir. Adorava comer pimentão, inhame cru e chupava bala feito uma criança. Uma vez deixei o portão aberto por alguns minutos enquanto buscava uma bolsa que tinha esquecido e a Mel fugiu para a rua e acabou entrando na casa de um vizinho que tinha o muro da mesma cor do nosso. Passamos 2 dias pregando cartazes pelo bairro oferecendo dinheiro para quem devolvesse. O vizinho devolveu não só a Mel, mas junto com ela a alegria de todos lá de casa.

Quando decidi vir para a Alemanha, sabia que teria que deixar a Melzinha e previa que ela sentiria muito. Mas, ela morreu dois meses antes. Apareceram uns ratos lá em casa e meu irmão colocou veneno. Nesse dia ela tinha dormido no meu quarto e quando fui para o trabalho deixei ela trancada e expliquei que ela não poderia sair. Meu irmão acordou e recolheu todos os venenos. Ele era muito cuidadoso, olhava todos os cantos da casa e retirava os venenos, não só por causa da Mel, mas também por causa da filha dele. Infelizmente nesse dia o tal ratinho arrastou o veneno para um lugar que só a Mel encontrou. Meus irmãos presenciaram a morte dela e fizeram de tudo, correndo de um lado para o outro em clínicas de animais, mas ela não resistiu. Sofremos demais, choramos dias e mais dias e meu irmão ficou deprimido por que se sentia culpado, apesar de sabermos que não foi culpa de ninguém. Por dias pensei que era apenas um pesadelo, sempre que abria o portão de casa, tinha a impressão de que ela estava latindo, comemorando a minha chegada. Infelizmente o tempo passou e percebi que ela realmente havia me deixado.

Não é fácil perder um animalzinho. Muitas pessoas não entendem esse tipo de amor, mas para mim foi como perder alguém da minha família e sei que por mais cachorrinhos que eu tenha, nenhum jamais vai substituir a minha florzinha. Ela me trouxe muitas alegrias, risos e lembranças que trago guardadas dentro de mim. Ela despertou em mim sentimentos muito bons e me ensinou muito sobre os animais, sobre mim, sobre o amor, a lealdade e a amizade. Ainda sinto muito a sua falta, mas sei que nem todos podem estar conosco para sempre. Na nossa vida perdemos muitas pessoas e coisas especiais ao longo da caminhada. Para essas perdas, por mais que saibamos que elas virão um dia, nunca estaremos preparados. Só nos resta aproveitar cada momento ao lado daqueles que amamos, sejam eles pessoas ou animais e darmos sempre o melhor de nós em todas as nossas relacoes, por que na verdade é isso que realmente vale a pena.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

"Tudo está bem, quando termina bem!"

Sabe aqueles dias que você acorda muito bem, que tem a sensação de que o seu dia será maravilhoso? Hoje foi assim, apesar da chuva fina que insiste em cair por aqui desde a semana passada e que promete ficar por mais alguns dias e da temperatura que voltou a cair dando a sensação de que o verão, que mal começou, já acabou.

Uma manha perfeita até a hora que a porta da sala de aula se abriu e um senhor perguntou quem era a mãe do Miguel. Respondi meio que sem voz, afinal alguém procurando pela mãe do Miguel na minha escola era sinonimo de coisa ruim. Eu tinha deixado ele mais cedo no Kinderbetreuung e tudo estava em ordem. Mil coisas passaram pela minha cabeça em questão de segundos, enquanto eu ouvia o senhor dizer que tinham ligado da escolinha dele pedindo que eu fosse lá. Juntei as minhas coisas e fui, mas não sei de onde tirei forcas. Senti um desespero tão grande, um medo que me consumia e que aumentava a cada passo que eu dava. Liguei o meu pensamento a Deus, mas mal conseguia fazer uma oração e só repetia "Oh, mein Gott!". Liguei para o Bebeto pois tinha certeza que ele me acalmaria e que diria para não me preocupar, que não seria nada de grave. Pelo contrário, a sua voz apavorada me fez ter certeza que eu chegaria lá e encontraria algo ruim. Foram os 3 minutos mais longos da minha vida.

Quando cheguei lá, a moca já me tranquilizou que não era nada "schlimm"(mal, grave) era apenas uma Durchfall (diarréia) que sujou toda a roupa dele e que o Miguel tinha que ir embora para não "ansteckt "(contaminar) os outros meninos se tivesse com alguma virose. Será que alguma mãe no auge do desespero merece ouvir uma dúzia de palavras esquisitas das quais ela nem faz ideia do que seja, num momento em que ela não conseguiria entender "bulhufas" nem se fossem ditas em sua língua materna? O Miguelzinho só pode voltar para a escolinha com um atestado do médico dizendo que ele não está com Magen-darm grippe, uma virose que se pega só de pensar nela. Eu já sei que ele não tem nada de mais, pois ele já comeu, não teve febre nem dores, não vomitou, está ativo e já desarrumou a casa toda depois que chegou da escola. Moral da história: ele está melhor que eu, que quase fui vitima de um infarto por causa do susto de hoje.

A cada dia que passa percebo o quanto é difícil ser mãe. É como se uma parte da gente tivesse em outro lugar, como se o coração batesse fora do corpo da gente. E aprender a lidar com isso não é para qualquer um. Mesmo num momento onde você perde o chão, você tem que estar firme, de pé. Ter paciência todo o tempo, vencer seus medos, proteger um ser frágil que depende o tempo todo de você, se dedicar integralmente. Muitas vezes a gente esquece de comer, não dorme por que seu filho não dorme bem, ou se ele dorme bem você acorda uma dezena de vezes para conferir se está tudo bem com ele. Tarefa difícil essa, né? O pior é que vem sem nenhum manual, não existem cursos preparatórios e você jamais poderá voltar atrás. Por isso digo, pense muito bem antes de fazer essa escolha na sua vida. Não me arrependo, que isso fique bem claro. Miguel é um pedaço de mim, do qual não abro mão. Ele é a luz dos meus dias, a "cordinha do meu coração", umas das razoes para que aja sempre um sorriso no meu rosto mesmo quando tudo está sombrio. Graças a Deus tudo não passou de um susto. O pior é que sei que muitos ainda virão. Que Deus me ajude sempre nesses momentos, amém!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Sobre o tempo

O dia precisaria ter umas 48 horas para que eu conseguisse fazer tudo o que preciso. Eu que sempre fui relativamente organizada e sempre tive excelente memória, agora dependo de listinhas para dar conta de tudo e nao esquecer coisas importantes, como pagar aluguel, taxas ou qualquer coisa que tenha data limite, sem falar que sempre tenho coisas para fazer por mais que eu já tenha feito. Nao sei se tem a ver com a idade ou o fato de ter que conciliar estudo, filho, marido e trabalho de casa, mas tenho percebido que estou mais lenta que antes.

Ultimamente tenho gastado 7 horas do meu dia com meu curso de alemao (contando deslocamento), sem falar nas horas que tenho que me dedicar por que só as aulas nao sao nem de perto suficientes para a prova que vou fazer em outubro. Isso, mais o tempo minimo para as tarefas diárias, o tempo que tenho que dedicar ao Miguelzinho e o tempo para dormir nao me sobra praticamente nada e acabo tendo que correr contra o relógio para conseguir fazer qualquer outra coisa que sinta vontade, como por exemplo escrever no blog, responder emails ou fazer um pouco de bicicleta (qdo o marido comprou ele disse que eu nao ia fazer e eu teimosa feita um burrico jurei que ele tava errado).

Entao nao se preocupem se eu sumir um pouco de vez em quando, principalmente essa semana que estou organizando uma festinha para comemorar o aniversário do marido. Mas esse trabalho eu adoro ter, afinal festejar está no meu DNA. Infelizmente ainda nao descobri um jeito de parar o relógio ou de aumentar a duracao dos dias, entao vou vivendo de listas e por vezes lamentando a minha falta de tempo.


Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

To com tempo sobrando!


Todo mundo tá aderindo a essa nova febre, mas confesso que não consigo entender como mexer nisso e muito menos para que serve. Mesmo assim eu, que não perco em curiosidade para ninguém, resolvi abrir uma conta. De cara já dei manota, é claro, por que nesse quesito também não fico em segundo lugar e como dizemos aqui em casa, vivo pisando na orelha. Não é que sai adicionando um monte de gente que já estava lá, por serem contatos do gmail e agora não faço nem idéia de como excluir. Tem gente para quem nunca respondi um email, agora pensa bem se faz sentido eu seguir a pessoa?

Sem falar no inglês que me falta. Tudo bem que as frases são básicas, mas para quem já tem a tendência descrita acima de manotar, somada a falta de conhecimento da língua e a falta de dom para qualquer coisa ligada a computador o resultado é sempre "Katastrophe". Agora é esperar para ver se vou conseguir me mexer e torcer para que meu professor favorito tenha paciência para me ajudar (ah, por falar em professor, você não esqueceu que me deve uma aula não, né seu Alberto?) e olha que falar de orkut, msn, twitter ou facebook pra ele é perder tempo já que ele, diferentemente dos pobres mortais como eu, dedica todo o seu tempo livre para a pesquisa cientifica (fino, né? acho que por isso ele é cientista na Alemanha).

Ah, essa foto tirei do blog da Adriana. Não resisti e tive que postar aqui. E para quem quiser me seguir (prometo que não vou postar lá de 5 em 5 segundos, pelo menos enquanto eu não aprender a mexer): http://twitter.com/Lizabsouza.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

"Espere sempre o minimo das pessoas para obter o máximo!"


Hoje pela manha recebi o comentário da Neli que além de me fazer um bem danado, me fez pensar e repensar algumas coisas. Desde sempre acredito que ninguém nasceu para superar as expectativas de outra pessoa, e que nossa felicidade deve depender exclusivamente de nós mesmos. Não adianta sair culpando os outros, o mundo, o tempo, ou a cor de nossas roupas pelas coisas boas ou ruins que acontecem. Tudo que damos ao mundo, nos é devolvido mais cedo ou mais tarde, portanto espalhar amor nunca é demais. Tudo isso é a mais pura verdade, mas infelizmente, como seres humanos, acabamos cometendo erros. Muitas vezes esperamos demais do outro, investimos nossos sentimentos onde não deveríamos, saímos feridos e magoados e acabamos responsabilizando outros por nossos fracassos e decepcoes. Quem já não passou por isso, não é? Aprender esperar menos dos outros não é uma tarefa fácil, mas com a maturidade e com os "tapas" que a vida dá, acabamos aprendendo e passamos a enxergar que nem todos podem nos dar o que queremos, não por serem pessoas ruins, mas por muitas vezes não terem o que gostaríamos dentro de si e por nao terem sido criados para superar expectativas de ninguém. Pense nisso e nunca entregue a chave da sua felicidade nas mãos de outra pessoa, saiba que ser feliz depende unicamente de você. E "espere sempre o mínimo das pessoas para obter o máximo!"

Ah, aproveito para agradecer a todos que passam por aqui, aos que deixam seus comentários e aos que mandam sempre energias positivas e oracoes. É sempre bom poder contar com o carinho e amizade de pessoas que muitas vezes nem conheço pessoalmente, outras que conheço a tanto tempo. Todos que sempre trazem alento, alegria, carinho e amor para a minha vida. Muitas vezes, acabo não conseguindo comentar em todos os blogs (apesar de visitá-los diariamente), outras vezes a correria é tamanha que nem consigo responder a todos os comentários deixados aqui, mas saibam que leio todos com muito carinho e que vocês estão guardados sempre nas minhas melhores lembranças.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Encarando um Friseur


Depois da minha viagem para Köln, meu cabelo simplesmente decidiu que não ia mais desembolar as pontas. Não sei se foi a tinta que trouxe de lá, a água que tem ainda mais calcário que a daqui do sul ou se foi o shampoo novo que comprei. Então minha opção era vencer meu medo de entrar num salão de beleza daqui, correndo o risco de sair com cabelo de turco (sem preconceitos, mas quem mora aqui vai me entender!) ou conviver com aquela bucha e economizar no bombril.

Não pensei duas vezes, separei uma foto da Penélope Cruz com o corte bem parecido com o que eu gostaria que a frauzinha fizesse, decorei umas palavras básicas para me fazer entender e lá fui eu com a cara e a coragem. Voltei com nadica da Penélope Cruz, mas pela bagatela de 25 euros (paguei barato na Alemanha. O que???) voltei para casa com um capacete que posso e que tenho que usar 24 horas. A emboleira do cabelo que eu queria tirar, continua aqui. Fazer o que, né? Agora é comprar uns cremes caros (amor, não eh minha culpa pq eu nem queria!) e tentar operar um milagre caseiro. Ah, a frauzinha ainda me deu um cartão fidelidade do salão que vale para a família toda, então se alguém que mora na vizinhanca tiver moto e quiser um capacete também, pode vir me visitar e fingir que faz parte da família, assim eu ganho desconto no meu décimo segundo corte (senta e espera que eu to voltando, viu?).

Mas vai falar que minha ida no cabeleireiro (meu Deus como português é difícil) não foi produtiva. A mesma frauzinha que me transformou num cabecao, disse que existem muitas turcas que moram aqui a muito tempo e que falam alemão tão mal como eu. Que elogio sincero! Ganhei meu dia! Ah, nem venham me dizer que estão vendo o capacete na foto, ok? Afinal, gastei mais ou menos 30 minutos de chapinha para abaixar o danado.