9 de setembro de 2010

Banho de água fria

Finalmente vou poder tomar um banho de chuveiro depois de 10 dias sem água quente em casa. Isso por que falamos para o proprietário que era urgente, já pensou se não fosse? O aparelho que aquece a água pifou e custa uma pequena bagatela de 900 euros com impostos e montagem. Em nenhum momento se cogitou arrumar o antigo, mesmo por que a mão de obra é muito cara por aqui e na maioria das vezes sai mais caro que pagar por um aparelho novo. Demorou assim, por que o proprietário estava evitando o inevitável que é ter que desembolsar quase 3 meses de aluguel. Mas o que nao tem remédio, remediado está... Ele teve que colocar a mão no bolso e pagar a conta.

Os 10 dias demoraram demais a passar, pelo menos para mim que não sou a maior fã de banho de caneca e muito menos tenho coragem de encarar um banho de água fria, principalmente quando a temperatura da água não passa dos 18°. Mas, esses 10 dias me fizeram refletir em como nós não damos valor a pequenas coisas que temos no dia a dia, como água tratada, energia elétrica, moradia, comida na mesa. As vezes é preciso sermos privados de algo, para enxergarmos o quanto somos privilegiados por vivermos uma vida que nem todo mundo tem a chance de viver. Já pensou em quantas pessoas não tem chuveiro com água quente em casa? Ou em quantas pessoas não tiveram o que comer no almoço de hoje? Difícil ter a noção disso, principalmente quando a nossa barriga tá cheia, nossa casa tá quentinha e temos nosso salário guardado na conta bancária garantindo tranquilidade para o restante do mês.

E a gente segue a nossa vida, reclamando por que a linha telefônica não funciona como deveria, que a internet é muito lenta, que a televisão tá chiando um pouco, que nosso celular não tem a resolução boa para fotos, que tomar banho quente de caneca é ruim. De verdade, tenho repensado muito no que realmente tem valor para mim e tenho me preocupado por ter feito tão pouco para as pessoas que precisam de tantas coisas por ai. E não se enganem: há mais pessoas que necessitam de ajuda do que pessoas que podem ajudar. Ajudar ou não só depende de nós. Enxergar uma solução mesmo que pareça pequena aos nossos olhos ou simplesmente cruzar os braços, também.

Além disso, não vos esqueçais de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios." - Hebreus 13:15-16

6 comentários:

Mi disse...

mas é sempre assim ne? a gente so valoriza qdo perde. Ha 8 anos aqui na alemanha nunca faltou agua, luz ou aquecimento...e mesmo assim sempre tenho algo a reclamar. Nos reclamamos na maioria das vezes de "barriga cheia". bjs!

Paloma disse...

Liz, ótimo post para reflexão. bjos
Paloma e Isa

Bia disse...

Infelizmente as coisas por ai na Europa demoram mesmo... na casa da minha irmã, a geladeira quebrou e a gente ficou sem geladeira por 2 semanas, com tudo estragando. Mas fazer o que né...

bjs

Lucia Cintra disse...

Nossa, Liza, como isso eh verdade. A gente se acostuma com as coisas e acha que vao estar sempre ali disponiveis (o que eles chamam de "take for granted" aqui). So mesmo quando experienciamos uma "perda" assim, paramos pra pensar a respeito.

Uns anos atras eu ate escrevi algo parecido. Morava numa outra casa e ja era tarde da noite. Cansada, fui tomar um banho quentinho e depois disso, fui deitar numa cama confortavel, debaixo de cobertores quentinhos enquanto nevava la fora.

Fiquei refletindo naquele momento em como tem gente que nao tem isso, nao tem o simples luxo de tomar um banho, um teto acima de sua cabeca, uma cama pra dormir... Devemos mesmo agradecer pelas pequenas coisas...

bjos

Jane disse...

Costumamos reclamar de muito pouco mesmo, né? Eu costumo dizer que todo mundo deveria passar por problemas na vida para valorizar as bencaos de Deus. As pequenas e as grandes, mas, acima de tudo, a vida que temos NELE para encarar os problemas no dia a dia.

Beijo!

Meire Bagoli disse...

Liza,

As suas palavras são bem verdadeiras.
Reclamamos demais mesmo.
A população sempre reclama do governo do Brasil, dos lixos na rua e outros. Mas quantos tem coragem de andar com uma sacolinha de plástico na bolsa? Quantos tem coragem de ajudar o próximo?

Beijos/Meire