30 de junho de 2010

Marching on

Tenho andado numa tristeza danada nos últimos dias. Eu sei: tenho motivos de sobra para não me entregar a nada negativo. Mas, vai dizer isso para o coração que sofre de saudade. A distancia da família não te ajuda a enxergar as coisas racionalmente, a pensar que mesmo longe há algo maior que os une, que essa separação é para o bem de todos e coisas desse tipo. Em todo o tempo você se agarra a lembranças do passado e tudo o que você deseja é ter a oportunidade de vivenciar tudo de novo enquanto ainda existe chance. Digo isso por que não sabemos ao certo o que nos espera amanha, sabemos que a qualquer momento um de nós pode partir desse mundo.

Resumindo: morar longe é uma bostoca! Tem sim os lados positivos e por isso ainda insisto em ficar aqui. Adoro a Alemanha, a qualidade de vida aqui é incomparavel e o meu filho tem chances de ter um futuro melhor por aqui. Até acredito que a economia brasileira esteja bombando, mas vamos ser sinceros: num país onde vale mais a quantidade de dinheiro que você tem no bolso e onde valores morais são distorcidos para que o objetivo de "ganhar sempre" seja alcançado, as coisas podem mesmo melhorar? O que vi quando fui de férias foi um caos no sistema de saúde, uma violência desmedida e uma pobreza de doer no coração. Como disse o meu tio uma vez: "é preciso ter sangue frio nas veias para dar conta de ver as coisas que acontecem no Brasil e ainda conseguir deitar no travesseiro e ter uma boa noite de sono." Sinceramente não sei se quero isso de novo.

Viu o impasse? Vivo pesando as coisas. Uma balança onde coloco de um lado a saudade, a minha vida profissional, o clima e outras coisas que me fazem muita falta e do outro as mazelas sociais que assolam o Brasil de outro. Mas, quer saber: por mais que eu pese as coisas, sei que eu não vou tomar uma decisão baseada em nada disso. Meu coração pode se enganar e posso ir pelo caminho errado, afinal sou humana, guiada por emocoes e muitas vezes enganada por elas. Por isso, coloco tudo isso nas mãos de Deus e sei que Ele me levará para o caminho melhor, onde serei feliz apesar das dificuldades, afinal Ele é infalível e fiel em todas as suas promessas.

Mudando de assunto: Essa música passa sempre na TV Alemã quando tem jogos da copa. E nas horas que não tem jogos, ela toca aqui em casa. Viciei!


9 comentários:

Eve disse...

Como diz a SAndra no livro dela: uma vez na Alemanha, você sente saudades do Brasil. Uma vez no Brasil, você sente saudades da Alemanha.
O negócio agora é admitir que vc não pertence mais a nenhum lugar.
Até lá, dói.

Bjs!

Ma disse...

Também tenho dessas fases. Eu digo sempre que fico enquanto estiver sendo bom pra nós, a hora em que deixar de ser, arrumo minha malinha. Já estou há bastante tempo fora e aprendi que o Brasil também não é mais o mesmo lugar que eu deixei pra trás. Eu mudei, ele mudou, as pessoas que estão lá também mudaram. Então voltar também vai ser pra um lugar diferente. Isso me acalma e me faz ter paz aqui onde eu estou agora. Bjs

Flavia disse...

as vezes tambem me sinto assim com a sensaçõ esquisita, como se já não fosse possível estar completa em nenhum dos dois lados... sempre faltará alguma coisa aqui e sempre faltará alguma coisa lá...
Mas quantas coisas temos aprendido do lado de cá, da vida e de nós mesmos?

Fica bem!

muitos beijos

Lucia Cintra disse...

A unica coisa que posso te dizer eh que a saudade ameniza ao longo dos anos. Sei que minha situacao eh bem diferente da sua por varios motivos: eu vim pra ca com a minha familia e eu so tinha 17 anos, mas no comeco foi tortura pra mim.

Eu acho que se voce comecar um trabalho ou carreira pra voce mesma, isso ja ajudara demais! Quando eu sai de casa pra faculdade, minha mentalidade/saudade ja melhoraram 60%.

Minha mae nunca gosto muito daqui ou nunca se adaptou inteiramente devido a ela nao ter feito sua vida. Tipo, ficava sempre em casa e tinha medo de arranjar um emprego (apesar e falar ingles bem). Tenho certeza absoluta que isso iria ter feito toda diferenca do mundo, sabe? E ela nao teria ficado com a cabeca no Brasil, comparando as coisas entre os dois paises o tempo todo.

Eh importantissimo que voce se distraia com algo so seu, com amigos por ai, com um trabalho. Talvez algo meio periodo enquanto o Miguelzinho esteje na escolinha, sei la...

Isso fez toda diferenca pra mim, sabe? "Guenta" firme ai!

bjs, Lu

Lúcia Soares disse...

Liza, nessa parte não sou boa "conselheira".
Porque eu não teria coragem de sair do Brasil. Mas se fosse como você, com marido e agora já tendo um filho, ficaria, mas exatamente como você, pesando e medindo os prós e os contras. Isso dá um dilema atróz.
Quem sabe você não ficaria melhor se estabelecerem uma meta? Conversem sobre isso e marquem um tempo para ficar aí. Tipo: ficaremos aqui por mais 3 anos. Pronto. Já há porque esperar.
E talvez, quando o tempo chegar, prorrogam mais uns meses...Não sei, pode ser uma boa tática.
Pense apenas que são jovens, têm que lutar agora por um futuro melhor.
Com tanta tecnologia hoje, a gente pode ver os amados todos os dias, falar com eles, o que ajuda. Só não podemos sentir o cheiro, o calor,o abraço macio.
Quando estiver fime e confiante no alemão, arranje um emprego no horário que Miguel estudar e aí o mundo será seu! Nem terá tempo de sentir saudade! rsrsrr
Beijos!

Nanci disse...

Tb acho que é importante ter uma meta e objetivos claro entre o casal, conversar sobre o futuro, as mudanças, as possibilidades e quem sabe arrumar alguma coisa que tenha um link com o Brasil (isso me ajuda muito), pois como vc mesmo disse somos todos humanos e a nossa emoção é muito forte. Não se deixe abater...

Jane disse...

Diz uma conhecida minha que constituiu familia em Praga: uma ve vivendo fora, voce fica para sempre dividida. Nao tem jeito.

Eu passei por isso, Liza. Mas ja faz quase 4 anos que estou aqui, e digo a voce: e tao dificil quanto qualquer transicao na vida. Em algum momento as coisas se estabilizam e voce aprende a viver feliz com os prós sem lamentar tanto os contras. Até lá voce passa por algumas fases, e é bom que seja assim, ainda que doloroso às vezes.

Beijos!

Beth/Lilás disse...

Querida Liza!
Eu ia comentar no seu último post em que aparece mais feliz com as novas amizades que vem fazendo, mas preferi deixar neste post aqui, afinal ele foi escrito antes, quando estava mais tristinha, mas você já viu que os dias vão passando e as coisas se ajeitando. Por outro lado, vocês estiveram aqui há bem pouco tempo e viram como está difícil viver neste país hoje em dia, com tantas falhas no sistema ainda para se ajeitar e isso, ao que parece, não será neste século ainda, portanto a melhor saída para vocês, jovens, filho pequeno, uma vida para fazer e viver, ainda é por aí mesmo.
Guenta firme, querida!
E todas as dicas e conselhos que lhe derem, poderão ser usados com o tempo e com a maturidade no entendimento melhor da vida que está vindo aos poucos para vocês.
No mais, conte conosco sempre para desabafar e trocar idéias.
um grande beijo carioca

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Esse seu sentimento é muito comum por entre muitos brasileiros que vivem no Japão. O que é melhor? Morar em um país que tudo funciona, que pode-se dormir de janela aberta e sem trancar a porta, que o filho tem escola de luxo pra estudar de graça? Ou camelar no Brasil, ter medo até de abrir a janela de casa, mas estar perto dos seus?

Qdo vc estiver na Alemanha, o Brasil será um tanto quanto Pasárgada. E vice-versa.

É complicado.