14 de julho de 2010

A bolinha azul

Falo com a minha mãe todos os dias pelo telefone. Na verdade, nos falamos umas 3 vezes por dia. Minhas amigas de outros países acham engraçado. Alguns brasileiros acham um exagero. Preciso senti-la perto para manter a minha saúde mental, e como não me custa quase nada faço questão de manter esse meu "remédio controlado". Mas, cá entre nós, mesmo que me custasse uma pequena fortuna e eu tivesse condicoes, pagaria todo o dinheiro do mundo. Acho que devemos investir tudo o que temos, digo não só bens materiais, mas sentimentos, energia, amor, naquilo que nos faz feliz. E ligar apenas para contar uma "fofoquinha" que esqueci de contar no telefonema anterior, para pedir um conselho, ou para dizer que sinto a falta dela mais que tudo no mundo, me deixa feliz. O segredo da felicidade, na minha opinião, é nos cercar das pessoas que amamos e eu descobri que isso é possível mesmo morando a 10.000 km de distancia da minha família.

Minha mãe também descobriu um jeitinho de driblar a saudade. Da ultima vez que estivemos de férias no Brasil, deixamos alguns brinquedos do Miguel para trás. Ela guardou tudo para a próxima visita, mas uma bolinha azul ficou esquecida debaixo da estante. Alguns dias atrás ela me disse que estava passando pano no chão e que a bolinha rolava de um lado para o outro. Mas, depois de 5 meses? Ela disse que não teve coragem de guardar a bolinha, e que ela fica feliz de vê-la rolando de um lado para o outro. Engraçado como cada um de nós tem a sua maneira de lidar com a dor, de encontrar alento nas coisas simples, e que no fundo cada um sabe que sempre existe um caminho de paz e alegria mesmo nos momentos mais difíceis e que geralmente esse caminho não custa quase nada.

5 comentários:

Eve disse...

Ai Liza, que fofo isso. Se eu pudesse tb ficava pendurada ao telefone com a minha, mas não dá.
E, provavelmente, toda mãe guarda um pedacinho da gente...

bjs

Ma disse...

Como vc consegue achar tempo? Menina, aqui às vezes a correria é tanta que chega sexta-feira eu lembro que não falei com a minha mãe a semana toda. Ainda mais com as 5 horas de diferença, quando ela pode eu não posso ou vice-versa. Gosto quando são só 3 horas, aí fica mais fácil.

Lucia Cintra disse...

Liza, concordo com voce. Certas coisas sao mais importantes que dinheiro, mas posso dar uma sugestao? Se sua mae tiver acesso a um computador, instalem skype, google talk ou algo parecido, pois eh de graca e a qualidade excelente. Eu converso com minhas amigas do Brasil o tempo todo pelo computer.

E sobre a bolinha azul, eu sou meio assim... certas coisas sao tao importantes que as guardo com muito carinho, ou ficam ali num lugar visivel sempre me lembrando de um momento ou pessoa especial pra mim.

bjos

Beth/Lilás disse...

Liza,
Você é uma filha maravilhosa, mas certamente teve a quem puxar!
Linda essa relação de vocês e este grande amor que as une. Parabéns!
bjs cariocas

Dani dutch disse...

OI Liza, tudo bem?
Liza eu ligo em casa todos os dias também, não imagino a minha vida sem falar com a minha familia..., e assim desta forma, ouvindoa voz dela é como se ela estivesse aqui e a saudade diminui.. bjuss