4 de julho de 2011

O parto

Minha bolsa rompeu no dia 18/06 às 08 da manha, exatamente quando completei 39 semanas. Foi uma sensação maravilhosa, primeiro por que eu não sentia dor nenhuma e por que sabia que logo estaria com meu filho nos braços. Organizei tudo o que tinha que fazer em casa, como me indicaram, e só então fomos para o hospital. Ao chegar lá, monitoraram o coração do Davi, fizeram um ultrassom e me colocaram de repouso absoluto por que ele não estava encaixado para o parto normal. Eu tinha apenas 2 cm de dilatação e ainda não sentia nada.

As dores começaram por volta da 2 da tarde e já chegaram bem fortes. Me perguntaram se eu queria tomar a anestesia e eu questionei se ela valeria para todo o parto e me disseram que sim, então nem pensei duas vezes e disse que queria. Tomei a anestesia por volta das 17 horas e não senti alivio nenhum nas dores. Por volta das 21 horas a dor ficou insuportável e eu questionei por que a anestesia não fazia efeito. Chamaram a anestesista que aumentou a dose, mas continuou não fazendo efeito algum e para completar eu tinha apenas 4 cm de dilatação.

Eu tinha mais ou menos de 5 a 6 contracoes em 10 minutos e todas muito fortes. Como as minhas contracoes vinham a cada minuto, eu não tinha tempo nem para respirar. Foi então que eu pensei, repensei, avaliei o sofrimento que eu estava sentindo e calculei que passaria por isso por pelo menos mais 6 horas, pois, geralmente, a cada hora se dilata 1 cm. Já havia se passado 15 horas desde que a bolsa tinha rompido e eu não tinha nem a metade da dilatação necessária e só tinha uma certeza: a peridural não funcionaria, então o restante das horas seria de mais dor. Foi ai que pedi por uma cesárea.

Pedi que chamassem a médica e disse que era minha vontade, mas ela não aceitou muito bem. Disse que eu deveria continuar a tentar o parto normal. Eu bati o pé e disse que não queria mais, que já não tinha forcas. Logo, logo a sala encheu de médicos tentando me convencer dos benefícios que o parto normal tem, mas eu me mantive firme. O obstetra então disse que não via necessidade na operação e eu disse que eu via já que era a minha vontade. Dai eles desistiram de tentar me convencer e a contra gosto e caras amarradas fizeram a cesária. Antes leram um monte de papeis com o risco que eu corria e todas as coisas ruins que poderia acontecer durante o parto.

Ainda assim não foi fácil. Uma das horas mais difíceis que que eu me lembro, foi a aplicação da anestesia espinhal. É sempre difícil a aplicação da anestesia em mim e os médicos acabam levando mais tempo que o normal. Eu não podia me mexer, tinha que ajudar forcando as costas para baixo e tinha contracoes fortíssimas que já não me davam 1 minuto de alivio. Mas, logo passou e o Davi nasceu esbanjando saúde, graças a Deus. O que eu sei é que seja normal ou cesária, parto dói muito, muito mesmo.

O que eu percebi é que aqui e no Brasil falta um equilíbrio por parte dos médicos. No Brasil há uma indicação exagerada por cesárea e aqui há uma forcacao exagerada pelo parto normal. Por exemplo, minha companheira de quarto teve 32 horas de trabalho de parto (e ela já tinha 6 cm de dilatacao) e no final precisou de 4 médicos em cima dela que já não tinha forcas para colocar o nenem pra fora, teve que fazer uma episiotomia e o parto teve que ser a vácuo. Tudo bem que a recuperação foi muito rápida, mas e o trauma que fica?

Eu não me arrependo de ter feito a cesária, por que eu realmente já não tinha forcas para encarar mais dores. Como eu já tinha feito uma no Brasil, sabia ao certo o que me esperava e por nem um segundo fiquei enganada que depois seria fácil. E é isso que indico às gravidas. Conhecimento nunca é demais. Pesquisem bastante todos os tipos de parto, esclareça todas as dúvidas com seu médico e não tenha medo de impor sua vontade quando necessário. Pense no que é melhor pra você e sua família e saiba que nem sempre o que é melhor para o outro vai ser melhor pra você também.

Algumas pessoas me olham torto até hoje quando explico o porque da opção pela cirurgia, mas quer saber, não me sinto fraca, nem irresponsável. Pelo contrário, me sinto corajosa por ter tentado e por ter ido até o meu limite e por ter tido forcas para reconhecer e impor minha vontade. Naquele momento eu pensei no meu bem estar e no bem estar do Davi e tenho certeza que a cesária não causou dano algum na saúde dele. Para mim isso é o mais importante. Agora depois dessa aventura, uma verdade ficou ainda mais forte pra mim: a família está definitivamente completa e não venham me falar que falta uma menina pra equilibrar, viu?

11 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Liza!
Vc tem razao, extremismo (seja ele do que for) nunca eh bom.
Gracas a Deus que tudo acabou bem e vcs estao bem!
Bj
Patricia

Mikelli disse...

que legal escutar como foi seu parto...e realmente aqui na alemanha eles forçam muito o parto natural. Por isso que fico com a minha clinica e nao abro mao...nela eu já assino antes de dar entrada todos os papeis da cesarea. Eles querem que as mulheres realmente leiam as coisas, e nao so que assinem na hora da dor. E se vc pede a cesarea, eles nao discutem. O lema deles é "vc conhece o proprio corpo" e acho que toda a verdade esta nessa frase. Eu sempre quis cesarea apesar de saber dos perrengues depois..e como ja sei que essa clinica faz sem discutir, estou ate me sentindo mais segura pra um parto normal ;) Pelo menos sei que quero tentar agora normal e se nao conseguir, nao tenho problema com a cesarea.
Nao acho nenhum sinal de fraqueza, mas sim de racionalidade....pra que sofrer e deixar a criança sofrer mais do que o necessario? Acho que um parto a vacuo é mais traumatizante do que uma cesarea.
Parabens pelo Davi e pela sua força! =) e sobre a menininha...a gente volta a falar daqui ha uns 3 ou 4 aninhos haha bjs!

Lucia Maria disse...

Aqui nos USA eh bem parecido e eles nao gostam de fazer cesaria, a nao ser que seje absolutamente necessario. Acho isso um absurdo, pois eh a escolha da mulher e com certeza se eu quisesse ter filhos, seria a minha escolha.

A minha amiga que acabou de ter um filhinho em Abril passou pela mesma coisa, mas no caso dela, depois de mais de 1 dia e meio em labor, eles foram obrigados a fazer cesaria (e olha que essa espera ridicula toda ja tinha passado 2 semanas do prazo do bebe nascer). Fiquei morrendo de pena dela, pois foi traumatico.

O importante eh que voces duas estao bem e que os bebes sao lindos e cheios de saude.

bjos

Pêtra Junghans Klein disse...

Não imaginava que na Alemanha seria assim, sei que os alemães são extremistas, mas contestar tanto um querer da mãe já é exagerado demais!
Que bom que tudo ficou bem, parabéns pelo lindo filho!

Lúcia Soares disse...

Liza, deve ter sido bem difícil, bem dramático para vocês. No meio à dor, ainda ter que impor sua vontade. Posso apenas imaginar seu sofrimento. Tmabém entrei em trabalho d eparto, esperei horas depois da bolsa rompida, tentaram a indução, que é dolorosíssima e ainda assim acabei fazendo uma cesárea.
Parto noraml é normal, acontece sem atropelos. Começou a ter alguma complicação, é preciso abreviar e entrar com outro procedimento.
Que bom que já passou e vocês estão bem. Isso é o que importa.
Beijo!

Jane disse...

32 horas? voce escreveu certo? 32 horas de parto teve a sua amiga? eu ja achava chocante a ju ter tido 23,5 horas de parto! é de fato um exagero, falta mesmo equilibrio. depois de tantas horas a mae nao tem mais forcas pra nada!

anyway... que bom que passou e o mais importante é ter o davi pertinho de voces! familia completa! :) beijo!

ps. voce vem qdo?

Camila disse...

Liza, olhe torto pra quem te olha torto, já que vc é quem esteve no hospital, foi em vc que doeu e ninguém melhor do que vc pra saber qual é o seu limite. E foi muito corajosa ao exigir que fosse respeitado. Parabéns, mais uma vez.

Ingrid disse...

Acabei de ler seu post! Estou grávida e moro na Alemanha e fico bastante apreensiva com o parto. Quero tentar o parto natural, nao quero cesárea de modo algum mas só vou saber na hora se vai ser possível ou nao. Parabens pelo filhote :)

Adriana disse...

Eu tambem moro na Alemanha e estou grávida do meu segundo filho. O primeiro nasceu de cesarea, apos uma inducao que nao deu certo. Tive muita dor depois e quero muito um parto normal dessa vez, mas o meu medo é o extremismo. Nao quero ninguem empurrando a minha barriga ou tirando o meu bebê a vacuo.

Em que cidade voce mora?

Liza Souza disse...

Ei Adriana! Moro em Villingen-Schwenningen, sul da Alemanha.E vc? Sobre o parto, converse no hospital antes e exponha o que voce deseja. E fique tranquila que vai dar tudo certo.

Adriana disse...

Oi Liza,
Obrigada pela resposta. Vou seguir o seu conselho. Eu moro em Berlim.