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23 de julho de 2009

Almoco Multicultural

Adorei o almoço, mas enquanto me lembrar dele não vou a outro. Cinco crianças juntas numa casa onde não moram crianças é estresse demais. Tudo que menino não pode brincar colocado num lugar que parece especialmente feito para eles mexerem, bem ao alcance das suas maozinhas curiosas. Principalmente se a criança se chama Miguel, funciona no 220v, é ativo ao extremo e não se cansa nunca. E olha que ele era um dos mais comportados. Perdi as contas de quantas vezes tive que buscar os brinquedos que ele tinha guardado dentro do pote de mantimento da cozinha da minha amiga francesa que nao tem muita paciência com crianças. Ela que queria ter 5 filhos, mudou totalmente de idéia depois de hoje, e agora só quer um. Tadinha! Acho que o trauma maior ficou mesmo para ela.


Ammar(sérvio) paquerando a Amelie(uma mistura de alema com peruana).


Malec, tunisiana mais simpática e fofa do mundo.


Miguelzinho depois que ficou de castigo por derrubar a Malec, minha amiga paquistanesa e seu filho.

Continuo achando que a melhor comida do mundo é a brasileira e apesar de ter me arriscado a provar algumas coisas, ainda me sinto bem resistente com comidas de outros países. O sucesso da festa foram as minhas "coxinhas". Agora tá todo mundo atrás de mim pedindo a receita, mas já disse que é segredo de família. A pior coisa do almoço foi não falar apenas alemão. A maioria falava espanhol ou português e como tinha uma brasileira que não fala nada de alemão, falamos na maior parte do tempo português. Uma pena, por que além da tunisiana e da paquistanesa ficarem um pouco de lado, acabamos não treinando o alemão que era um dos nossos objetivos. O melhor do almoço é saber que mesmo tão distantes de casa, podemos encontrar pessoas tão especiais com quem podemos dividir bons momentos e isso de uma certa forma ameniza um pouco a saudade que carregamos dentro do peito. Amigos vindos de qualquer lugar do mundo fazem a vida da gente muito mais especial.


Quase todo mundo à mesa esperando a hora de provar as guloseimas.


Paola, uma peruana adorável e Amelie. Eu dando a comidinha do meu príncipe, claro que levei feijão com angu pra ele.

22 de julho de 2009

Convivendo com as diferencas


Essa semana estava comendo uma fatia de torta floresta negra e comecei a me lembrar que quando eu e minha mãe tinhamos uma lojinha de congelados, essa torta era minha especialidade Eu vendia pelo menos 2 por semana e naquela época nem passava pela minha cabeça vir morar na Schwarzwald (Floresta Negra). É engrancado como a vida da gente dá voltas e nos leva para lugares que jamais imaginamos. Também não imaginava que conviveria com tantas culturas e que aprenderia tanto sobre outros povos quanto tenho aprendido, e posso dizer que isso reforça o que já pensava sobre a importância de uma pessoa viajar e conhecer "outros mundos".

Amanha eu e algumas colegas do curso vamos almoçar juntas. Uma francesa, uma tunisiana, uma peruana, uma sérvia, uma paquistanesa e uma brasileira. Além de nós teremos também 5 crianças com mais ou menos a mesma idade. Cada uma vai levar um prato do seu país e vamos passar a tarde juntas conversando e nos conhecendo melhor. To adorando a ideia, tirando a parte que sou super enjoada em provar comida de outros lugares. Não que eu seja preconceituosa, mas sempre tive estômago muito fraco e muitas vezes fico enjoada só de sentir o cheiro forte de algumas comidas. Ah, por falar em comida, a tunisiana disse que só come o prato que vou levar se eu comprar o frango na loja turca. Mais uma diferenca que pode parecer boba, mas que nao custa respeitar.

Hoje eu e uma amiga da Sérvia passamos parte da manha conversando e isso me fez refletir como somos tão diferentes, apesar de termos algumas afinidades. Ela estava muito triste por que está com problemas com o marido. Ele sai todos os fins de semana, sozinho é claro, e não quer nem deixa-la almoçar conosco amanha. Além disso é costume no país deles morar com toda a família do marido, e cabe a nora fazer todo o serviço da casa. Caso ela queira se separar não tem direito de levar o filho, pois ele pertence a família do marido. Como assim??? Achei tudo um absurdo e no lugar dela não ia querer uma vida dessas. Não tenho nada contra minha sogra, ao contrário ela sempre me tratou com muito carinho, respeito e me recebeu sempre muito bem na casa dela. Mas, não acho que um casal deva morar na mesma casa que os pais nem do marido, nem da esposa. Também não acho que outra pessoa que não seja a mãe deva ficar com a criança caso haja separação. Muito menos acho que um homem tenha direito de sair para festas ou boates no sábado a noite enquanto a mulher fica em casa sozinha. Mas, tudo isso faz parte da cultura dela. Uma cultura muito diferente da minha. Costumes diferentes que precisam ser respeitados acima de tudo. Não pude dizer muita coisa, além de oferecer meu carinho e dizer que todos temos problemas e que agir no momento de tristeza ou raiva não é a melhor opção.

Morar aqui na Alemanha tem me feito enxergar a vida de uma maneira diferente. Tenho aprendido a conviver com as diferenças, ou pelo menos tenho tentado aceitar cada pessoa da maneira que ela é, sem cobranças, sem pré-conceitos, sem comparacoes. Cada povo, cada pessoa carrega dentro de si caracteristicas, crenças, opiniões que fazem dela o que ela é. Amar é aprender a viver com essas diferenças com respeito, sem tentar mudar o outro e sem usar mascaras para parecer o outro e ser aceito por ele. Não posso dizer que seja fácil aprender a lidar com as diferenças e muitas coisas continuo não entendendo, mas respeito sempre. Hoje mesmo minha professora me disse que outros povos falam muito emocionalmente e que os alemães são mais práticos, racionais. Vou continuar falando emocionalmente, afinal sou brasileira, mas de forma alguma vou achar que os alemães são frios por serem diferentes de mim. E viva as diferenças, afinal não posso me imaginar vivendo num mundo de pessoas iguais. Isso seria muito langweilig (chato)!

Ah, fui contar essa história para o Bebeto e ele me fez a proposta da gente mudar para a Sérvia e caso eu aceite ele vai convidar a família dele. Engracadinho, né?